Sábado, 28/01
LOOSERS
Tidos por alguns como pais das novas tendências musicais que grassam nos maiores centros urbanos do país, os Loosers renegam esse estatuto com a mesma veemência com que fogem a outras categorizações. Afinal, aquilo que mais vulgarmente se ouve dizer dos seus concertos é que nenhum é igual ao anterior – são testes constantes às fronteiras da liberdade do rock. Tiago Miranda, Rui Dâmaso e Zé Miguel mergulham frequentemente aqueles que tomam parte nessas epifanias numa espécie de transe xamânico dotado de sugestões hipnóticas que levam a querer repetir a experiência outra e outra vez. “Bully Bones of Belgie”, o seu álbum mais recente, foi editado este mês pela italiana QBICO.
Discografia:
III (2005, Ruby Red)
For All The Round Suns (2005, Ruby Red)
Slugs (2005, Ruby Red)
Bully Bones of Belgie (2006, QBICO)
A trio, the Loosers do a surprising number of things at once. Their basic focus is art-damaged power-pus, but they do it in a variety of ways, recalling everyone from Sonic Youth to Jackie O Motherfucker at various times.
Byron Coley & Thurston Moore, Arthur Magazine
LINDA MARTINI

Discografia:
Linda Martini EP (2006, Naked)
O CD promocional de quatro temas do quinteto é um verdadeiro óvni na paisagem musical portuguesa, ao cruzar a intensidade pós-rock (comparações a alguns momentos dos Isis não são descabidas) com letras em português. É também um dos mais interessantes objectos musicais portugueses deste ano (ouçam-no em http://www.myspace.com/lindamartini).
Pedro Rios, in Bodyspace.net
CAVEIRA

Trio da Grande Lisboa, constituído por Rita Vozone e Pedro Gomes nas guitarras eléctricas e Joaquim Albergaria (Vicious 5) na bateria, os CAVEIRA têm actuado frequentemente pela capital com particular ênfase no ano corrente, em concertos completamente catárticos e explosivos. A música dos Caveira é estruturada de forma aberta, sendo toda ela totalmente improvisada. Contudo, as várias líricas dos seus membros encaixam nessa linguagem do momento de forma afastada dos normais cânones improvisatórios existentes em alguma música extrema, seja ela o jazz menos ortodoxo, a electroacústica ou a cultura de «jam» mais planante. O seu discurso reúne uma série de idiomas. Desde a exploração de som livre, do Sonny Sharrock de «Black Woman», ao trabalho de Keiji Haino nos Fushitsusha, até ao rock-anti-rock de «Twin Infinitives» dos Royal Trux.
Discografia:
África CD-R (2005, ed. de autor)
Diz-se por aí que um trio que se intitula CAVEIRA anda a inquietar o percurso Chiado-Bica-Telheiras (que desde então nunca foi o mesmo); diz-se por aí que andam a partir os cânones do rock em mil pedaços e que os estilhaços daí resultantes fizeram já alguns feridos. (...) Rock com acentuação no free/improv, blues camuflado mas não escondido.
André Gomes, in Mondo Bizarre
"É um espantoso e promissor disco de um trio que impressiona pela maturidade estética já alcançada. Rock livre, aparentemente descoordenado e totalmente improvisado, que se assemelha aos tradicionais clímaxes dos concertos rock - "feedback", caos, suor - ou aos momentos mais psicadélicos dos Blue Cheer ("Vincebus Eruptum" à cabeça) e Hawkwind. "África" é uma luta orgiástica entre uma bateria irrequieta e duas guitaras desconexas a explorar o ruído e múltiplos "riffs" de curta vida."
Redacção Y (7º lugar do top nacional de discos 2005)



